DESGLAMOUR

A importância do autocuidado

Vamos falar de vida real?

Com o advento do COVID-19, uma palavra está na boca de todo mundo: prioridade.

Quais são as suas? Família, trabalho, sobrevivência, saúde, relacionamentos. Você poderá enumerar várias, e mais do que as hashtags as pessoas com quem convivemos e lidamos ajudam nesse sentido. Entretanto, uma delas pode ficar esquecida, em função da tensão, ansiedade, medo, desânimo ou desalento: o autocuidado.

Para quem já tem o hábito de reservar um tempo para se cuidar em casa, fica mais fácil compreender o quanto é importante manter essa rotina viva! Para quem não tem e, geralmente, precisa se deslocar para o salão, esteticista e profissionais desse segmento, pode parecer que pela falta de tempo e demandas consideradas mais importantes, tais cuidados sejam elencados em uma categoria de luxo, futilidade ou superficialidade.

Os cabelos vão ficando brancos, as unhas por cuidar, as roupas empilhadas para passar e a gente usa somente sleepwear [um pijama ou camisola] do quarto para a cozinha, da cozinha para a sala e por aí se perpetua um clima improdutivo que interfere, também, em nosso humor, disposição e capacidade de colaboração. A princípio, essa postura pode parecer inofensiva, mas, em um segundo momento, é perceptível o impacto desse movimento em nossa saúde mental e em nossas relações.

A desglamourização aproxima

Promover a desglamourização em áreas que prestam serviços atrelados às Ciências Humanas, é algo fundamental, sempre, e em momentos como esse, principalmente. Desde a minha formação e atuação na Publicidade e Propaganda, percebo o quanto as pessoas se confundem e relegam determinados investimentos, considerando-os “banais”.

Assim, vejo se repetir o mesmo comportamento com relação à Consultoria de Imagem. A Consultoria de Imagem deve conduzir a um processo autêntico de autoconhecimento e autocuidado que tem por consequência a autoexpressão.

A moda é um dos recursos do qual nos valemos para facilitar tal processo e que merece tanto respeito quanto a política, a economia e a sociologia, pois, se estudamos cada uma das épocas, será perceptível o quanto ela conversa com as mudanças políticas e econômicas de cada sociedade, região e cultura. A questão é como, nós, seres humanos, a encaramos: a capitalizamos e banalizamos.

Ciências humanas e autocompaixão

As ciências humanas; Antropologia, Filosofia, Sociologia são os pilares que mantém de forma orgânica a existência humana de acordo com uma natureza inconfundível. Por isso, são fundamentais. Aqui, também, estamos tratando de sobrevivência e saúde. Como podemos ajudar nossos clientes aqui e agora com pequenos incentivos que mantenham a mente e corpo saudáveis? É hora de colocar a cabeça para pensar e perguntar a eles. [ porque não temos todas as respostas ].

Deixar o cabelo esbranquiçado pode e deve ser uma opção [ atualmente, de exceção passou a quase regra ]. O que não podemos deixar é que se abale a autoestima e que isso reflita em outras dimensões da vida de quem conhecemos. O que não podemos é nos entregarmos porque outros dependem de nossos cuidados.

Pequenas práticas podem ajudar nesse momento de incertezas para manter o equilíbrio.

Uma forma muito simples de “ficar em paz” com a própria imagem em momentos de fragilidade é praticar as virtudes da humildade e da ordem, tendo bem clara a ideia de que por mais que aperfeiçoemos o nosso olhar a respeito das cores, elementos de design, e do que desejamos comunicar, o imperfeito faz parte da nossa natureza. Praticar a autocompaixão é primordial. Não se trata de se entregar ao sabor dos próprios gostos e caprichos, mas de ser mais sensível consigo mesmo. Menos autocrítico.

Fernando Palacios e Martha Terenzzo em sua obra “O Guia Completo do Storytelling” nos dão uma dica e que exige treino: Wabi-sabi!  “Boas vindas à imperfeição.” Trata-se de um conceito japonês que defende a beleza de tudo o que não é perfeito. “Wabi significa quietude; uma elegância discreta, uma modéstia no formato e a integridade no processo de construção. (…) A palavra Sabi significa a simplicidade, a serenidade que vem com o tempo. (…) O sucesso sorri para os que estão sempre aprendendo, investigando, se adaptando, surfando nas ondas da mudança. E também para aqueles que têm conflitos, dilemas, uma vida real. (…) Nosso conhecimento é mutante, por isso impermanente. (…) Somos wabi-sabi, cultivamos tudo o que é autêntico.(…) Admitimos que podemos errar, porque isso é humano e nos faz humanos.”

Para a desglamourização: Wabi Sabi!

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